Meu nome é Joyce e eu tenho 27 anos. Atualmente, tenho um emprego que, apesar de pagar pouco, só me traz alegrias. Conheci uma pessoa legal, amiga de uma amiga e estamos namorando, o que me torna uma pessoa muito feliz. Sou obesa, mas não sou considerada uma pessoa feia pela maior parte das pessoas cuja opinião pode me importar. Moro na casa da minha avó, não pagamos aluguel e vivemos de maneira humilde, porém bastante confortável.
Olhando assim, você logo vê que eu sou uma pessoa normal e feliz, sem motivos para desenvolver qualquer problema psicológico.
Infelizmente, desde pequena, eu sofro com ansiedade. Ah, ansiedade não é uma coisa boa? Por exemplo, estar ansioso pelo dia do pagamento, pra poder comprar algo legal, ou quitar uma dívida, é uma boa sensação, não é?
Claro que é, e a ansiedade, além de ser essa expectativa, também ajuda as pessoas a pensar nos detalhes importantes que precisam providenciar antes de um acontecimento. Por exemplo, você fica tão ansioso por promover a festa de quinze anos de sua filha que, um ano antes, começa a fazer uma poupança para poder pagar ao menos o aluguel do salão a vista.
Só que existem pessoas que, como eu, sentem ansiedade em níveis tão altos, que não conseguem pensar em mais nada, senão o objeto de sua expectativa. E isso causa uma avalanche de pensamentos que não se pode ordenar e que CANSAM. Além dos sintomas físicos (boca seca, mãos geladas, falta de ar, pulsação acelerada, suor frio, tremores) e da enorme sensação de angústia. Pois é, não é bolinho, não.
Dificilmente alguém que não sofra de ansiedade vai entender esse tipo de problema, e eu estou bem ciente disso. Decidi, recentemente, só conversar sobre com a Alice, minha namorada (que, por sinal, também sofre desse mal), os médicos e esse meu blog.
Há aproximadamente três semanas, fui ver um Endocrinologista. Naturalmente, ele é um médico que pode tratar meus problemas hormonais, obesidade e poderia ajudar com a ansiedade, também. O tal médico que vi não queria muito papo. Ele era prático: você é obesa? Faça a dieta dos pontos. Tem problemas hormonais? Traga-me esses exames de sangue porque, olhando, não posso saber. É ansiosa? Tome 50mg de sertralina por dia.
Eu entrei na dele. Médicos muito disputados costumam ser bons, certo? E como Alice já estava tomando sertralina e observando melhoras, fiquei bem animada.
Só que os remédios funcionam diferentemente, de pessoa para pessoa. E a sertralina me trouxe efeitos colaterais terríveis.
Em primeiro lugar, depois de cinco dias tomando o remédio corretamente, acordei SURTADA. Antes do meu horário habitual, fui despertada pelo meu cérebro com uma avalanche de pensamentos. É fato que, no final do mês, farei minha primeira viagem de avião, e isso pode causar ansiedade em qualquer pessoa. Também é fato que sou gay, e minha família não sabe disso. Ainda. Pretendo sair do armário antes de setembro acabar.
Como eu disse no início do texto, existe aquela ansiedade boa, a expectativa. E era assim que eu vinha me sentindo sobre a viagem e sobre me abrir com minha família. Sempre quis viajar de avião e, finalmente, tenho dinheiro para isso. E poder contar a verdade sobre minha opção sexual para a família é algo que vai me libertar, porque é a consciência deles que venho protegendo cada vez que escondo esse detalhe sobre minha vida.
Nos últimos três meses, vinha sendo assim.
Até que, nessa semana, tudo isso se tornou DEMAIS pra eu aguentar. Viajar sozinha? De avião, ainda por cima? Pela primeira vez? Não pode ser... Como acreditei que seria capaz disso? E depois, como vou sustentar um namoro sério e, ao mesmo tempo, esconder isso de minha família? Com quem vou ter que romper? Como viver sem minha família? Como me despedir da Alice sem ter vivido com ela tudo o que planejo viver?
Angústia e desespero tomaram conta do meu peito... e do meu fígado. Passei a manhã vomitando um líquido amarelado, característico de quem tem problemas nesse órgão. Sabia que a sertralina podia fazer isso, mas achei que podia passar ilesa por esse efeito colateral.
Tirei a manhã de folga e fui trabalhar a tarde. No finalzinho do expediente, fui atropelada por terrível dor de cabeça, que evoluiu pra tontura e mais vômitos, até chegar em casa e conseguir dormir. No dia seguinte, mais vômitos, mais angústia.
Medo de ficar assim até o dia da viagem. Medo de surtar. Medo de ter que adiantar minha revelação a família, pelo menos pra me livrar de UM problema. Medo de ter que me "livrar". Medo de ter medo. Não pude ir trabalhar. Botei na cabeça que devia ser só o fígado atacado pela sertralina, mas sabia que era bem mais o que ela tinha atacado. Suspendi.
Mas ela desencadeou um estado de ansiedade que me acomete todas as manhãs. Ontem, resolvi enfrentar e ir trabalhar. Foi ótimo. Hoje, resolvi cantar. Antes das 7h da manhã desse sábado, meus familiares e vizinhos me ouviram cantando "Ciclo sem fim" a plenos pulmões (nem tanto, cantei mais pra mim mesma). Também foi bom.
Segundo orientação da Alice, procurei identificar como eram essas crises de ansiedade. E percebi que minhas manhãs de Agosto PODEM, talvez, ser acometidas por essa ansiedade chata. Mas ela passa. Chazinho de hortelã e cantoria.
O fígado melhorou, já comi até pizza.
Se você chegou até esse post porque sofre de ansiedade e angústia, MANTENHA A CALMA. Respire fundo, cante e, mais importante, SAIBA que existem muitas pessoas que passam pelo mesmo que você. Estamos todos unidos por um fantasma invisível que nos amedronta e tenta calar nossa felicidade, tirar as cores do nosso mundo. Não se preocupe, isso passa. Se a sertralina também não deu certo pra você, continue calmo. Assim como eu, continue procurando algo que te ajude a passar por isso. Você não precisa enfrentar isso sozinho.
Dois bolinhos no forno. "Tá quente aqui, né?" "AI MEU DEUS, UM BOLINHO QUE FALA!!!"
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sábado, 3 de agosto de 2013
Ansiedade, o fantasma
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domingo, 16 de setembro de 2012
Metrossexual
Não é novidade para ninguém, existem homens que se "enquadram" nesse estereótipo. Desde 2003, quando o termo tornou-se popular aqui no Brasil, muito se falou sobre o homem que, apesar de ser heterossexual, não mais agia como seus ancestrais, que sempre deixaram os salões de beleza e a parte de cosméticos no supermercado para as mulheres. Os metrossexuais nada mais são que homens (necessariamente heterossexuais) que cuidam de sua aparência com muito, muito zelo.
quinta-feira, 21 de janeiro de 2010
Rosa de Vidro
Eu estou ouvindo uma música japonesa chamada "Scarlet", de Iwao Junko. Por algum motivo, ela me transferiu, em lembranças, ao Anime Friends 2005. Acho que aquele foi o ano ápice do meu "modo otaku". Eu, a May e a Jú compramos ingressos para todos os dias de evento, antecipados. Combinamos de sair bem cedinho de casa, pegar ônibus, depois metrô, pra chegar até lá e ainda pegar uma bela fila pra entrar.
Nesse evento, conhecí a Sandrinha e a Majin Lú, figuras importantíssimas pra mim e pro fórum que eu tanto amava na época, a UMDB. Também nos encontramos com o Zen e a Arjuna (aquela cujos seios macios sempre me recebem tão bem! hehe) Eu conhecí mais duas pessoas, mas preciso contar com detalhes sobre cada uma delas...
A primeira era uma garotinha de seus 14 ou 15 anos, membro dos fóruns de X 1999 e Gravitation que eu adiministrava. Logo no primeiro dia, assim que cheguei á imensa fila, liguei pra ela. Ela estava com amigos, e se não me engano, tinha vindo de outra cidade. Pensei, levianamente, que ela me chamaria para perto dela, já que estava mais perto da porta. Há! Não, ela não fez essa bondade. Tudo bem, achei estranho e pouco cordial, mas... era o mais certo, enfim. Afinal, numa fila muito grande, quando você dá lugar a amigos (conhecidos de fórum, pra ser mais exata), você pode agitar alguns nervos.
Quando conseguimos entrar, eu já nem me lembrava que tinha dito pra ela como eu estava vestida, e de repente, uma garotinha estranha se aproxima de mim:
- Joyu?
- Oi? Não, eu sou a Joy. (já estava quase prestando atenção em outra coisa)
- Sou eu! A Fulana! Do fórum tal!
- ... AH! OI! TUDO BOM?
(Aqui, a garota se curvou, pra me cumprimentar igual aos japoneses se cumprimentam.)
Ok, nós estávamos num evento que tinha tudo a ver com cultura japonesa, mas... nem por isso precisávamos agir como tais, certo? Meu modo de cumprimentar pessoas de fórum, com quem eu já tenha alguma intimidade, é abraçando! No mínimo, apertando as mãos, ou dando dois beijinhos no rosto. Achei bizarro.
Nesse evento, conhecí a Sandrinha e a Majin Lú, figuras importantíssimas pra mim e pro fórum que eu tanto amava na época, a UMDB. Também nos encontramos com o Zen e a Arjuna (aquela cujos seios macios sempre me recebem tão bem! hehe) Eu conhecí mais duas pessoas, mas preciso contar com detalhes sobre cada uma delas...
A primeira era uma garotinha de seus 14 ou 15 anos, membro dos fóruns de X 1999 e Gravitation que eu adiministrava. Logo no primeiro dia, assim que cheguei á imensa fila, liguei pra ela. Ela estava com amigos, e se não me engano, tinha vindo de outra cidade. Pensei, levianamente, que ela me chamaria para perto dela, já que estava mais perto da porta. Há! Não, ela não fez essa bondade. Tudo bem, achei estranho e pouco cordial, mas... era o mais certo, enfim. Afinal, numa fila muito grande, quando você dá lugar a amigos (conhecidos de fórum, pra ser mais exata), você pode agitar alguns nervos.
Quando conseguimos entrar, eu já nem me lembrava que tinha dito pra ela como eu estava vestida, e de repente, uma garotinha estranha se aproxima de mim:
- Joyu?
- Oi? Não, eu sou a Joy. (já estava quase prestando atenção em outra coisa)
- Sou eu! A Fulana! Do fórum tal!
- ... AH! OI! TUDO BOM?
(Aqui, a garota se curvou, pra me cumprimentar igual aos japoneses se cumprimentam.)
Ok, nós estávamos num evento que tinha tudo a ver com cultura japonesa, mas... nem por isso precisávamos agir como tais, certo? Meu modo de cumprimentar pessoas de fórum, com quem eu já tenha alguma intimidade, é abraçando! No mínimo, apertando as mãos, ou dando dois beijinhos no rosto. Achei bizarro.
Nesses eventos, depois que você torra o seu dinheiro nos stands de DVD's, camisetas, pôsteres, mangás, bugigangas e Trilhas Sonoras, não lhe resta muito o que fazer. Então ou você se acomoda na 'praça de alimentação' (o que não é recomendável, porque dá muita fome, e tudo lá é caro demais), ou você se joga na grama e acompanha as porcarias que estão no palco (em algum momento, você terá de fazer isso), ou vai pro Animekê (onde passamos grande parte do nosso tempo) e fica ouvindo as pessoas cantarem mal num idioma que decoraram em romanji (a língua japonesa transcrita no nosso alfabeto), ou vai assistir animes nas salinhas de exibição.
A Sandrinha, a May e eu éramos muito fãs de yaoi (histórias com temática homossexual, entre homens apenas), especialmente Gravitation, mas devorávamos casaisinhos inventados de qualquer série. Escolhemos, então, a sala de exibição yaoi pra nos sentarmos um pouco e passar o tempo. O pessoal de um fórum grande de Yaoi é que tinha organizado a sala onde estávamos, e muitos membros "populares" estavam por lá. Nós não dávamos a mínima pra eles, porque não tínhamos cadastro naquele site (tinha uma terrível fama de ser um lugar hostil).
Na maior parte do tempo, nem prestávamos atenção á tela. Ficávamos lendo os mangás recentemente comprados, comendo trakinas e conversando e rindo muito. Na época, eu estava namorando -virtualmente- uma garota que morava no interior. Então, eu estava num momento 100% gay. Estou lá, muito folgada na sala, quando aparece um sujeito horroroso. Acho que tudo o que eu desprezo na aparência e nos trejeitos de uma pessoa, o cara tinha. E no orkut, a foto dele era completamente diferente! Eu nem o reconhecí. Ele é quem me reconheceu.
Eu fiquei claramente descontente por ele ter me encontrado, mas ele estava todo alegrinho. Vinha com uma faixa enorme do fórum de ficwritters do qual ele participava. Um nerd completo.
- Você não é a Joy?
- Sou. Quem é você?
- Fulano! Não lembra?
- Ah tá! Veio assistir um Yaoi? Senta aí!
Como eu disse, estava BEM folgada na sala, achando que era minha!
- Não... erm... vem aqui um pouquinho?
Não posso descrever meu descontentamento.
- C-claro.
Fomos até a parte da frente da sala, afastados da TV, e ele queria saber se eu não queria ir para o cinema com o pessoal do fórum dele, comer uma pizza depois e tal. Dei a desculpa de já ter gastado todo o meu dinheiro no evento, e me livrei dele. Quando me sentei, toda revoltadinha, soltei "Nem de homem eu gosto!"
Eu levava muito a sério meu compromisso com a guria caipira, por mais ficctício que fosse. Mas de qualquer forma, o sujeito era tosco! Depois desse encontro, eu passei a notar o quanto ele era tosco online, também!
Depois fui ler na net alguns comentários do pessoal que tinha organizado a sala, e ví que estavam com raiva de "meninas pagando de lésbicas". Não faço ideia se era comigo, mas, por algum motivo, a "intuição" me disse que sim. Problema deles, também. Eu estava mesmo gostando de uma garota, na época.
Tem outras coisas que me lembro desse evento, coisas engraçadíssimas de lembrar, mas meu post já está horrendo de grande. Vou deixar aqui a letra da música que me lembrou tudo isso. Ela traduz bem meus sentimentos em relação a essa parte do meu passado. Eu era muito feliz em "ser otaku". Era uma felicidade que já não poderia ter mais, mesmo que voltasse a me viciar em animes!
Scarlet (tradução)
Iwao Junko
Você ainda pode ver seus sonhos no céu estrelado e distante?
Eles são mais vividos agora do que quando você era criança?
Quando alguém esquece de colocar as emoções
que transbordam em seu coração para descansar,
elas queimam na cor da paixão
Eu costumava acreditar, sem duvidas,
Que poderia alcançar meus sonhos
Não importando o quão distantes eles estivessem
Mas o “eu” daquele tempo agora está adormecido em meu coração
Sonhos são mais frágeis e passageiros que uma rosa de vidro
Então, porque estamos destinados a sonhar?
As vezes, dois sonhos podem se transformar em amor
Mas também há vezes em que isso não acontece
Mesmo que estejam sozinhas,
as pessoas querem compartilhar seus sentimentos
mas às vezes, é tão difícil
Palavras são impotentes para expressar os sentimentos de alguém
E às vezes elas machucam como facas prateadas
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